Marília Arraes lidera, mas segunda vaga está aberta entre diferentes forças políticas; Mendonça Filho e Humberto Costa aparecem tecnicamente empatados
Por Ricardo Gouveia 18/09/2026 ás 18:00
A corrida pelas duas vagas de Pernambuco no Senado entrou definitivamente em sua fase mais estratégica. A nova pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta semana, apresenta um cenário que merece atenção não apenas pelos números, mas pelo que eles revelam sobre a distribuição das forças políticas no Estado.
Marília Arraes (PDT) aparece na primeira colocação, com 27% das intenções de voto. Na sequência, vêm Mendonça Filho (PL), com 21%, e Humberto Costa (PT), com 20%. Eduardo da Fonte (PP) registra 13%, enquanto Túlio Gadêlha (PSD) aparece com 11%.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores pernambucanos entre 10 e 14 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número PE-07953/2026.
E aqui está o ponto central desta fotografia eleitoral: Pernambuco elegerá dois senadores, e o eleitor poderá votar em dois nomes. Portanto, a lógica da disputa é diferente daquela de uma eleição majoritária para governador.
A liderança de Marília
Os 27% de Marília Arraes chamam atenção, mas não devem ser interpretados como resultado definitivo.
A própria estrutura da pesquisa mostra que há diferenças importantes entre o primeiro e o segundo voto.
No primeiro voto, Marília chega a 37%, enquanto Mendonça Filho aparece com 22% e Humberto Costa com 20%. Já no segundo voto, Mendonça e Humberto aparecem com 19% cada, Marília com 17%, Eduardo da Fonte com 15% e Túlio Gadêlha também com 15%.
Isso ajuda a compreender uma característica fundamental da eleição: o eleitor pernambucano não necessariamente está formando uma chapa de dois nomes de maneira homogênea.
Há espaço para combinações diferentes.
E isso torna a campanha particularmente interessante.
A verdadeira batalha está na segunda vaga
Se há um dado que merece ser observado com lupa, é a diferença entre Mendonça Filho e Humberto Costa.
São 21% contra 20%.
Com margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Ou seja, a pesquisa não permite afirmar que um deles esteja efetivamente à frente do outro no eleitorado.
Politicamente, isso significa que a disputa pela segunda cadeira está aberta.
Mendonça representa o campo político identificado com o PL e com o eleitorado de direita. Humberto Costa, por sua vez, possui uma trajetória consolidada no PT e no Senado, além de integrar a composição política ligada à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco.
São, portanto, dois campos políticos bastante distintos disputando uma parcela importante do mesmo eleitorado.
Eduardo da Fonte ainda está no jogo
O percentual de 13% de Eduardo da Fonte não deve ser simplesmente tratado como uma posição distante da disputa.
A diferença para Humberto Costa é de sete pontos e para Mendonça Filho, de oito. Em uma eleição de dois votos e com uma parcela do eleitorado ainda sujeita a mudanças, a distância numérica pode ser objeto de disputa durante a reta final.
Além disso, informações sobre a campanha mostram que Eduardo da Fonte dispõe de estrutura política e apoios municipais em diferentes regiões do Estado. Levantamentos publicados nesta semana também apontam que apoios de prefeitos estão distribuídos entre diversos candidatos ao Senado.
Aqui aparece uma variável que pesquisa estadual não consegue traduzir completamente: capilaridade política.
Uma candidatura pode apresentar determinado percentual em uma pesquisa e, ao mesmo tempo, possuir uma estrutura territorial capaz de ampliar sua presença durante a campanha.
E Túlio Gadêlha?
Outro nome que merece acompanhamento é Túlio Gadêlha.
Com 11%, ele aparece logo atrás de Eduardo da Fonte. Mais importante: no levantamento referente ao segundo voto, chega a 15%, o mesmo percentual atribuído a Eduardo da Fonte.
Isso mostra que a fotografia consolidada pode esconder comportamentos diferentes entre o eleitor que já possui uma preferência principal e aquele que ainda está procurando um segundo nome.
Para Túlio, portanto, o desafio passa por transformar a presença no segundo voto em intenção mais consistente no conjunto da eleição.
A eleição para o Senado não é uma eleição convencional
Esse talvez seja o aspecto mais importante para quem acompanha a política pernambucana.
O eleitor não precisa escolher apenas um candidato.
São duas vagas.
Isso cria possibilidades de composição que não aparecem imediatamente quando se olha apenas para o ranking da pesquisa.
Um eleitor pode escolher um candidato de determinado campo ideológico para o primeiro voto e outro de uma corrente completamente diferente para o segundo.
É justamente por isso que alianças, apoios de prefeitos, lideranças regionais, presença nos meios de comunicação e capacidade de mobilização podem ter peso significativo na reta final.
O efeito da eleição para governador
Outro elemento não pode ser ignorado: a disputa pelo Senado acontece simultaneamente à eleição para o Governo de Pernambuco.
Na mesma pesquisa RealTime Big Data, João Campos aparece com 44% e Raquel Lyra com 43% no primeiro turno estimulado, dentro da margem de erro. No segundo turno, os dois aparecem com 44% cada.
Isso cria um ambiente eleitoral altamente competitivo.
E a composição das candidaturas ao Senado também acompanha esse cenário.
Segundo levantamento do Datafolha divulgado em setembro, Marília Arraes e Humberto Costa integram a chapa ligada a João Campos, enquanto Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha aparecem na composição ligada a Raquel Lyra. Mendonça Filho concorre separadamente ao Senado e, segundo a mesma reportagem, apoia informalmente a candidatura de Raquel.
Na prática, o eleitor poderá receber diferentes estímulos para combinar seus dois votos.
O que pode acontecer daqui para frente?
Sem transformar pesquisa em previsão eleitoral, há alguns movimentos que merecem acompanhamento.
Primeiro: a manutenção da liderança de Marília.
Ela aparece na primeira colocação em diferentes levantamentos recentes, embora com percentuais distintos. Na pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro, por exemplo, tinha 17%, contra 14% de Humberto e 11% de Mendonça, todos dentro de um cenário tecnicamente próximo considerando a margem de erro de três pontos.
Segundo: a disputa entre Mendonça e Humberto.
A diferença de apenas um ponto no RealTime Big Data coloca os dois no mesmo bloco estatístico. Uma pequena oscilação pode alterar a ordem numérica sem necessariamente representar uma mudança estrutural do eleitorado.
Terceiro: a capacidade de reação de Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha.
Os dois estão abaixo do trio da frente, mas os números de segundo voto mostram que existe espaço eleitoral adicional para ambos.
Quarto: o comportamento do eleitor que ainda não consolidou seus dois votos.
A comparação entre pesquisas recentes revela que os números variam bastante conforme o instituto e a metodologia. O Datafolha, por exemplo, encontrou Marília com 18%, Humberto com 16%, Mendonça com 12% e Eduardo da Fonte com 10%, em levantamento realizado entre 8 e 10 de setembro.
Isso é um lembrete importante: pesquisa eleitoral é fotografia, não resultado de urna.
A grande incógnita
Se existe uma palavra para definir a corrida ao Senado em Pernambuco neste momento, ela é combinação.
Quem estará na dupla escolhida pelo eleitor?
Marília + Humberto?
Marília + Mendonça?
Marília + Eduardo?
Mendonça + Humberto?
Eduardo + algum dos nomes que aparecem à frente?
A pesquisa não responde essas perguntas.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior disputa política das próximas semanas.
O eleitor pernambucano terá dois votos, e as campanhas precisam convencer não apenas quem será o primeiro nome escolhido, mas também quem ocupará o segundo espaço na cédula.
O cenário está longe de estar decidido
Os números atuais colocam Marília Arraes em primeiro lugar no levantamento RealTime Big Data, mas a disputa pelas duas cadeiras envolve um grupo de candidatos com presença relevante.
27% para Marília, 21% para Mendonça, 20% para Humberto, 13% para Eduardo e 11% para Túlio.
A matemática eleitoral mostra uma liderança numérica e, ao mesmo tempo, uma disputa apertada pelas posições seguintes.
Para as campanhas, a reta final será menos sobre simplesmente conquistar novos eleitores e cada vez mais sobre transformar preferência em voto efetivo, consolidar o segundo voto e ampliar presença regional.
Para o eleitor, a principal questão será outra: avaliar individualmente os candidatos, suas trajetórias, posições políticas e propostas para os próximos oito anos de mandato.
A corrida pelo Senado em Pernambuco, neste momento, está aberta em sua dimensão mais importante: quais serão os dois nomes escolhidos pelos pernambucanos.
BOX — NÚMEROS DA PESQUISA
RealTime Big Data — Pernambuco/Senado
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Marília Arraes (PDT) | 27% |
| Mendonça Filho (PL) | 21% |
| Humberto Costa (PT) | 20% |
| Eduardo da Fonte (PP) | 13% |
| Túlio Gadêlha (PSD) | 11% |
| Carlos Sant'Anna (Novo) | 2% |
| Paulo Rubem Santiago (Rede) | 1% |
| Branco/Nulo | 3% |
| Não sabe/Não respondeu | 2% |
Nota editorial: os percentuais acima são do cenário estimulado consolidado e representam o momento em que a pesquisa foi realizada. Eles não constituem previsão do resultado eleitoral.

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