O cenário político pernambucano para 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos, mas se engana quem pensa que o jogo já está definido. A primeira pesquisa do Instituto Múltipla, divulgada em parceria com o Portal do Ricardo Antunes, jogou luz sobre a corrida para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e trouxe um retrato fiel de como se comporta o eleitor do nosso estado quando o assunto é o voto proporcional: pulverização, força do interior e muito espaço para crescimento.
Os números mostram um cenário de extrema fragmentação. Nenhum candidato desponta como um "puxador de votos" absoluto a nível estadual, o que reforça a tese de que a eleição para deputado estadual em Pernambuco é, na verdade, um somatório de dezenas de eleições regionais.
A liderança do vereador de Caruaru, Anderson Correia (PP), com 2,1% das intenções de voto, é um recado claro da força política do Agreste. Caruaru, sendo o maior colégio eleitoral do interior, tem o peso necessário para alavancar um nome local ao topo de uma pesquisa estadual. Colado nele, com 2,0%, aparece o deputado estadual Antônio Coelho (União Brasil), demonstrando que a capilaridade e a estrutura política consolidada do seu grupo, especialmente no Sertão do São Francisco, seguem intactas e operantes.
Um ponto que merece análise profunda nos bastidores é o fenômeno do "voto de recall" (lembrança do eleitor). A pesquisa aponta nomes de peso do cenário federal sendo citados para o legislativo estadual, como o deputado federal André Ferreira (PL), em terceiro com 1,9%, e a deputada federal Maria Arraes (PSB), com 1,6%. Isso evidencia que uma parcela do eleitorado ainda mistura as disputas ou simplesmente vota na marca política que lhe vem à cabeça primeiro.
O Partido Progressistas (PP) mostra uma musculatura invejável nessa fotografia do momento. Além de Anderson Correia, a legenda emplaca a ex-deputada Roberta Arraes (1,8%) e a sempre lembrada Gleide Ângelo (1,3%) no pelotão de frente, indicando uma chapa competitiva que dará trabalho aos adversários.
O bloco dos que pontuaram na casa de 1,1% e 1,0% é um verdadeiro "quem é quem" da política tradicional pernambucana, misturando caciques históricos e lideranças ascendentes. Temos desde o atual presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), até nomes consolidados como Zé Queiroz (MDB), Antônio Moraes (PSD), João Paulo (PT) e Gustavo Gouveia (Podemos), dividindo espaço com lideranças emergentes de várias regiões do estado.
Como bem pontuou Ronald Falabella, diretor do Instituto Múltipla, “esse tipo de levantamento sofre interferências locais”. E essa é a grande chave de leitura: na eleição proporcional, ser gigante na sua cidade muitas vezes compensa o anonimato no resto do estado.
No entanto, o dado mais importante dessa pesquisa não tem nome, nem partido: são os indecisos e os votos brancos/nulos. Quando somamos os 25% que ainda não sabem em quem votar com os 18,8% que declaram voto nulo ou branco, percebemos que quase metade do eleitorado pernambucano (43,8%) está com o voto "na pista", aguardando ser conquistado. Isso sem contar os 28,3% pulverizados em nomes que sequer atingiram 1%.
A eleição para a Alepe está completamente aberta. Quem souber ler os recados das microrregiões, articular bases sólidas no interior e entender que a campanha se vence gastando sola de sapato e não apenas com posts em redes sociais, sairá na frente. O xadrez de 2026 apenas começou, e o Blog do Ricardo Gouveia seguirá acompanhando cada movimento dessas peças nos bastidores do poder.
Ficha Técnica da Pesquisa: O levantamento do Instituto Múltipla ouviu 900 eleitores pernambucanos entre os dias 22 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um grau de confiança de 95%. A pesquisa está devidamente registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo PE-01370/2026.

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